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| Entendendo
as hipersensibilidades alimentares |
As hipersensibilidades
alimentares estão se tornando cada vez mais prevalentes na população
mundial. Dados da Americam Academy of Allergy, Asthma, and Immunology indicam
que 50 milhões de americanos possuem algum tipo de alergia alimentar.
As hipersensibilidades alimentares podem ser de dois tipos: imediata ou tardia.
As imediatas são um fenômeno raro e afetam de 0,3 a 7,5% das crianças
e 1 a 2% dos adultos. Como todo processo alérgico, a alergia imediata também
mobiliza anticorpos, mais especificamente do tipo IgE. Estes se ligam ao antígeno
alimentar agressor, formando-se os imunocomplexos (complexos de antígeno
e anticorpo).
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partir daí há liberação de citocinas e histamina,
entre outras substâncias, resultando numa série de reações
dentre elas o fechamento de glote, a fadiga, o lacrimejamento dos olhos, as urticárias,
a coceira corporal, o stress respiratório, a coriza, as reações
asmáticas e até mesmo o choque anafilático. Estas
reações podem ocorrer minutos ou horas após a ingestão
do alergeno alimentar, sendo por isso denominadas de imediatas. Os alimentos que
mais provocam este tipo de reação são: ovos, leite de vaca,
nozes, ostras, soja, trigo e peixe.
Um
segundo tipo de hipersensibilidade alimentar, ocorre quando anticorpos do tipo
IgA, IgG e IgM são produzidos em resposta a ingestão de alimentos,
agentes químicos ou toxinas bacterianas produzidas no ambiente intestinal
ou veiculadas através dos alimentos. A cafeína, assim
como aditivos alimentares, glutamato monossódico e corantes também
são agentes causadores de hipersensibilidades alimentares. Estas reações
podem ocorrer no mesmo dia, horas após a ingestão alimentar, ou
até 4 dias após a exposição ao alergeno, sendo por
isso chamadas de hipersensibilidades tardias ou escondidas.O termo escondida se
refere também ao fato de ser de identificação e diagnóstico
difíceis, uma vez que exames que quantificam a produção destes
anticorpos específicos é caro e pouco disponível.
A maneira de diagnosticar uma hipersensibilidade e que está mais ao alcance
da maior parte dos profissionais é aplicar a dieta de eliminação
por pelo menos 30 dias, onde somente devem ser ingeridos aqueles alimentos com
baixo potencial alergênico. Após este período segue com a
re introdução gradual dos alimentos, sempre estando atenta para
correlacionar o aparecimento de algum sintoma com a ingestão de determinado
alimento. Neste sentido, as hipersensibilidades tardias podem ser cíclicas
ou fixas. São chamadas cíclicas quando a eliminação
do alergeno alimentar em questão é feita durante meses (o tempo
varia entre indivíduos) e isto permite a sua reintrodução
desde que esta não seja de maneira muito freqüente. Normalmente se
tolera bem a ingestão do alimento com 4 dias de intervalo. Já nas
alergias fixas, toda a vez que o alimento é ingerido ocorre reação
independente do tempo de intervalo que se dá entre as ingestões
do mesmo, ou seja, não há descensibilização do sistema
imunológico mesmo que se permaneça meses ou anos sem ingerir o alergeno
alimentar. Praticamente qualquer alimento pode provocar as reações
de hipersensibilidades tardias, mas os mais comuns são a carne vermelha,
frutas cítricas, leites e seus derivados, glúten (trigo, centeio,
cevada, aveia e malte), ovos, milho e carne de porco. Estes contribuem com pelo
menos 80% dos casos. Normalmente o antígeno alimentar responsável
por desencadear a alergia é ingerido diariamente, em dosagens relativas
e provavelmente há muito tempo. Desta forma, estamos diariamente levando
a uma sobrecarga hepática, uma vez que o fígado tem que dar conta
de eliminar todos estes tóxicos que chegam a circulação.
O sistema imune também pode entrar em fadiga, devido ao aumento do trabalho
imposto. A incidência e a severidade das hipersensibilidades alimentares
aumentou dramaticamente nos últimos 15 anos. Acredita-se que o aumento
tenha como origem a exposição repetida ao antígeno, digestão
deficiente, o aumento do estresse sobre o sistema imunológico (com o aumento
da poluição do ar, água e alimentos), desmame precoce e a
rápida introdução dos alimentos às crianças
e também devido a manipulação genética de alimentos
e plantas, resultando em componentes alimentares que provocam reações
cruzadas com tecidos corporais. Sem duvida nenhuma, a hiperpermeabilidade
intestinal, também chamada de leaky gut syndrome, é uma das maiores
contribuintes para o desenvolvimento e a manutenção das hipersensibilidades
alimentares. Neste contexto, a disbiose intestinal aparece como um dos maiores
fatores causadores do aumento da permeabilidade intestinal, permitindo que a partir
de uma barreira intestinal comprometida, partículas alimentares, fragmentos
e toxinas bacterianas, poluentes, químicos ambientais e fragmentos protéicos
mal digeridos atravessem a barreira intestinal, sejam absorvidos para a corrente
sanguínea e estimulem o sistema imune a produzir anticorpos contra estas
proteínas estranhas, configurando assim o processo alérgico. Esta
reação pode ser localizada, sistêmica ou em sítios
específicos distantes. Desta forma, entendemos que o uso de antibióticos,
assim como a presença de cândida, fatores estes, que desequilibram
a microbiota intestinal, podem contribuir com o aumento da predisposição
as hipersensibilidades alimentares. Mas por que alguns indivíduos
são alérgicos e outros não? Parece que o fatores genético
tem interferência, assim como o stress a ma digestão a toxicidade
ambiental e a ma nutrição. Podemos ficar anos sem manifestar reação
alérgica a um determinado alimento, até que em determinada época
por um fator genético físico ou emocional a alergia se manifesta
com a quebra do balanço orgânico. É
suposto que as alergias alimentares sejam a principal causa de vários sintomas
não diagnosticados. Uma série de sintomas foram listados e todos
estão relacionados a algum tipo de hipersensibilidade alimentar. Desta
forma podemos ver, ainda com mais clareza como é comum este tipo de reação. CABEÇA:
dor de cabeça crônica, enxaqueca, dificuldade em dormir. BOCA
E GARGANTA: tosse, dor de garganta, gagueira, aftas na gengiva, lábios
e língua. OLHOS, OUVIDOS, NARIZ: coriza, zunido no ouvido, problemas
de seios nasais, olhos lacrimejando, infecções auditivas, formação
excessiva de muco... CORAÇÃO DE PULMÃO: arritmia,
taquicardia, congestão pulmonar, bronquite, falta de ar GASTROINTESTINAL:
náuseas, vômitos, constipação, diarréia, síndrome
do intestino irritável, gases, dor abdominal. PELE: psoriase,
eczema, pele seca, sudorese excessiva, acne, queda de cabelo. MÚSCULOS/ARTICULAÇÕES:
fraqueza muscular, dores, artrite. ENERGIA/ATIVIDADE: fadiga, depressão,
lapsos de memória, hiperatividade. EMOÇÕES/MENTE:
flutuações de humor, ansiedade, tensão, medo, nervosismo,
comportamento agressivo, compulsão alimentar ou por bebidas, confusão
mental, baixa concentração. OUTRAS: excesso ou déficit
ponderal, retenção hídrica, insônia, aumento da freqüência
urinárias, queimação genital.
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PATRICIA
DAVIDSON HAIAT
Nutricionista
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