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| Abordagem
Funcional das cefaléias e enxaquecas |
Dores
de cabeça constantes não são uma doença, mas sim um
sintoma de que há um problema orgânico que necessita de investigação.
Dor
de cabeça é definida como a presença de sensação
dolorosa na cabeça, pescoço e face. As cefaléias, nome científico
dado às dores de cabeça, podem ser primárias (causadas por
distúrbios bioquímicos no próprio cérebro) ou secundárias
(causadas por problemas em qualquer região do corpo como problemas dos
olhos, ouvidos, garganta), totalizando mais de 150 tipos diferentes. O cérebro
não possui receptores para dor, mas as veias cerebrais e as meninges podem
sentir dor e isto que produz a cefaléia.
| | As
cefaléias mais intensas e incapacitantes chamam-se enxaquecas, caracterizadas
por dor aguda que dura de 4 a 72 horas, normalmente de um só lado da cabeça
associada a náuseas, vômitos, sensibilidade aumentada à luz
e a ruídos e em algumas pessoas aura visual. Ocorrem duas fases distintas
na enxaqueca, sendo a primeira de vasoconstricçao das veias cerebrais devido
a liberação de serotonina pelas plaquetas, seguidas de uma vasodilatação
de rebote, o que causa justamente a dor. Sabe-se que a tiramina e a feniletilamina
são algumas das substâncias responsáveis por esta síntese
de serotonina aumentada. Embora
as cefaléias anteriormente citadas sejam entidades diferentes, elas guardam
alguma semelhança no que diz respeito às inúmeras causas:
estresse (50% dos casos), ansiedade, depressão, distúrbio de sono,
exercício e trabalhos excessivos. Podem ser ainda causadas por sinusites,
infecção auditiva, abscesso dentário, disfunção
têmporo-mandibular, tensão muscular, má digestão, hipoglicemia,
constipação, hipotireoidismo e tensão pré-menstrual
(60-70% dos casos de enxaqueca em mulheres está relacionado ao ciclo menstrual
podendo ser pré-menstruais ou menstruais).
A
disbiose pode ser, indiretamente, causa de enxaqueca. O supercrescimento de fungos
no intestino, entre eles a cândida albicans, favorece a liberação
de diversas micotoxinas. Estas por sua vez vão provocar o aumento da permeabilidade
intestinal (leaky gut syndrome) fazendo com que as toxinas fúngicas, assim
como fragmentos alimentares e bacterianos sejam encontrados na circulação,
podendo assim atingir qualquer tecido. As micotoxinas podem agir incapacitando
o fígado a detoxificar plenamente a grande carga de xenobióticos
que recebe diariamente, sendo a enxaqueca causada por um excesso de tóxicos
armazenados. As toxinas fúngicas podem, ainda, irritar o sistema nervoso
central, aumentando a sensibilidade do tecido a outros estímulos, trazendo
como conseqüência à cefaléia/enxaqueca. Neste contexto,
se faz necessário otimizar o equilíbrio da microbiota intestinal
assim como os mecanismos de detoxificação hepática, para
fins de prevenção e tratamento da enxaqueca, evitando assim a utilização
de medicamentos de alivio da dor. Estes minimizam apenas os sintomas e não
tratam a causa da cefaléia, podendo ainda contribuir com a piora do quadro
apresentado, uma vez que prejudicam a detoxificação hepática.
O
aumento da permeabilidade intestinal favorece também o surgimento de múltiplas
hipersensibilidades alimentares e hoje se sabe que a cefaléia e enxaqueca
podem ser um sintoma delas. A alergia alimentar pode ser um fator contribuinte
para a enxaqueca de até 80% dos indivíduos, por isso uma avaliação
criteriosa deve ser feita a fim de se identificar o(s) alimento(s) mais envolvido(s)
na etiologia da enxaqueca de cada indivíduo. De
uma maneira geral, os alimentos tidos como "culpados" são: leite
e seus derivados, milho, frutas oleaginosas em especial a castanha de caju, produtos
à base de soja (leite, tofu, molho de soja), trigo, frutas cítricas,
maçã, alimentos fermentados com leveduras, batata, tomate, berinjela,
pimentão e pimenta. Outras
substâncias envolvidas na enxaqueca são aditivos alimentares ou naturais
presentes nos alimentos: os nitratos (salsichas, salame, presunto), o ácido
benzóico (utilizado em geléias, frutas desidratadas, margarinas),
a tartrazina (corante amarelo), o glutamato monossódico (presente em muitos
produtos industrializados), , o aspartame, o metabissulfito (preservativo), e
as aminas vasoativas feniletilamina (encontrada no chocolate ou álcool)
e a tiramina. Os alimentos contendo tiramina são responsáveis por
15% dos casos de enxaqueca, portanto, indivíduos com enxaqueca devem evitar
o seu consumo caso tenham observado piora dos seus sintomas quando ingerem queijos
envelhecidos, banana, ameixa vermelha, abacate, berinjela, tomate, vinagre, bebidas
fermentadas como a cerveja, o vinho e a champagne. Evitando o consumo desses alimentos,
pode-se experimentar uma completa melhora do quadro sem uso de medicação.
Chá preto ou verde, assim como bebidas contendo cafeína
podem ser iniciadores de enxaqueca também, uma vez que ocorre vasodilatação
como um efeito rebote da vasoconstricçao que provocam ao serem tomados.
Alguns estudos apontam a alta ingestão de cafeína como sendo responsável
por intensificar os casos de cefaléia, perpetuar o seu ciclo e ainda provocar
um aumento temporário nos níveis pressóricos. Uma
vez que a maior parte das cefaléias tem um componente de estresse e de
hipersensibilidade alimentar associada, indicam-se os seguintes nutrientes com
atividade benéfica: vitamina C, bioflavonóides, complexo B (com
ênfase no ácido pantotênico), cálcio e magnésio.
Vários estudos já verificaram concentrações baixas
de magnésio no cérebro e em outros tecidos em pacientes com enxaqueca,
indicando a necessidade de suplementação. Uma das funções
mais importantes do magnésio é a de manter o tônus das veias.
Com a finalidade de recuperar a integridade da barreira intestinal, pode ser útil
suplementar L-glutamina, e nutrientes como ácido fólico, zinco,
selênio, vitamina A e E. O manganês também tem sua indicação
no tratamento das cefaléias, uma vez que inibe a degranulação
dos mastócitos, agindo como um anti-histamínico natural. Alguns
estudos atuais também apontam para a utilização dos ácidos
graxos Omega 3 para redução da freqüência e intensidade
das enxaquecas. A suplementação deve ser mantida por mais de três
semanas, uma vez que é o tempo necessário para haver modificação
da membrana celular com novos ácidos graxos.
REFERÊNCIAS:
BROSTOFF,
J.; GAMLIN, L., 2000 MARTIN, J.M, RONA, Z.P. Complete candida yeast guidebook,
2000. CUTLER, E. The food allergy cure, 2003. GOLAN,R. Optimal Wellness,
1995 Great Smokies Diagnostic Lab :www.gsdl.com VICKERSTAFF, J.J. Dealing
with food allergies, 2003. WATSON, B. Renew your life, 2002. www.diagnose-me.com
www.dordecabeca.com.br
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PATRICIA
DAVIDSON HAIAT
Nutricionista
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