Overtraining - "Vilão ou Sinalizador"


Todos sabemos que, para se aumentar a performance e melhorar o condicionamento físico deve-se treinar cada vez mais.

O que poucos sabem é que o treinamento intenso e repetitivo, somado à alimentação inadequada e pouco descanso pode levar a efeitos prejudiciais na performance e condicionamento físico.

Preocupados com a diminuição no rendimento de seus atletas em diversas modalidades, estudiosos começaram a observar um conjunto de sintomas decorrentes do treinamento de alta intensidade e dos fatores citados anteriormente que desencadeiam a denominada "Síndrome do Overtraining".

"Síndrome do Overtraining" ou simplesmente "overtraining" foi a denominação conferida ao conjunto de sintomas emocionais, comportamentais e físicos que se instalam e podem permanecer por semanas ou até meses, implicando em redução progressiva no rendimento na atividade física (performance).

Movidos pela exigência de um padrão social de estética corporal as pessoas buscam resultados com rapidez na prática de atividade física, em muitos casos deixando de lado a possibilidade de sofrer os efeitos adversos desse anseio. Esse vem sendo o grande motivo de aumento na incidência de casos de overtraining em praticantes de atividade física.

 

Anteriormente só observada em atletas, no anseio pelo alto-desempenho, a síndrome apresenta sintomas como diminuição na performance, fadiga, alteração no humor (irritabilidade, ansiedade, depressão, apatia, postura abatida em relação ao treino, exaustão mental), alteração no sistema imunológico, freqüentes infecções respiratórias, dores e/ou lesões musculares e articulares.

Existem dois tipos de overtraining que se correlacionam com o grau de comprometimento no sistema nervoso:
- Parassimpático - mais comum em atividades de endurance (corrida, ciclismo, triatlon,...), causando apatia e fadiga.
- Simpático - mais comum em atividades de "explosão" ou força (musculação, lutas,...), causando insônia e hiper-excitabilidade.

Esses sintomas podem ser conseqüência de muito treino associado ou não à uma recuperação inadequada. Vale ressaltar que o termo recuperação faz referência aos procedimentos: alimentação, intervalo entre as sessões de treinamento, descanso, repouso (horas de sono), dentre outros.

Os benefícios fisiológicos da prática de exercícios se estabelecem principalmente durante o período de repouso ou descanso após uma sessão de treinamento intenso. Se esse período não ocorre de forma adequada ao programa de treinamento a recuperação não ocorre e há uma estabilização na performance. Com a manutenção do desequilíbrio entre excesso de treinamento e repouso inadequado, teremos como conseqüência uma redução na performance.





Durante a fase de recuperação os benefícios fisiológicos ocorrem para compensar (recuperar o organismo) do stress causado pelo exercício, portanto, é justamente nesse período que o indivíduo aprimora sua performance.

Dados estatísticos alarmantes vêm indicando que cerca de 1 em cada 5 indivíduos praticantes de atividade física apresenta dois ou mais sintomas de overtraining.

Um levantamento criterioso seguido de prescrição e orientação de logística de treinamento e alimentação diários se faz necessário para perfeita adequação de objetivos e saúde quando correlacionados com a atividade física.


REFERÊNCIAS:

Arja L.T., The Overtraining Syndrome, The Physician and Sportsmedicine - Vol 29 - No.5 - May 2001.
McKenzie, D. C, Markers of Excessive Exercise. Can. J. Appl. Physiol.24 (1): 66-77,1999.

Kraemer, W.J. et al, Training for Muscular Power, Clinics in Sports Medicine, 341-368, 2000.
Hawley, L. et al, Overtraining Syndrome: A Guide to Diagnosis, Ttreatment, and Prevention, Sportsmedicine - Vol 31 - No. 6 - Jun 2003.



Nutricionista Ricardo Sodré



Sócio-diretor da Nutconsult
Pós-graduado em Nutrição e Atividade Física/UERJ
Especialista em Nutrição Ortomolecular
Nutricionista UERJ / SEAP