Deficiências e excessos nutricionais - alguma implicação na TPM?

A síndrome da tensão pré-menstrual (TPM) ou Distúrbio Disfórico da Fase Lútea Tardia ocorre por volta de 10 a 15 dias antes do início do ciclo menstrual - fase lútea. Estudos da Organização Mundial da Saúde mostram que 35% das mulheres em idade fértil sofrem de Tensão Pré-Menstrual.

A TPM é uma doença que incide desde a adolescência até o climatério.

A sintomatologia é muito vasta, mas pode variar de acordo com a intensidade. Os sintomas físicos incluem: retenção hídrica, acne, dor e sensibilidade nos seios, dor e sensibilidade na região inferior do abdômen, dores de cabeça e enxaqueca, cansaço físico e fraqueza, aumento de peso e dores no corpo.

São descritos também sintomas psíquicos como: irritabilidade, agressividade, nervosismo, sensação de "estar de mal" com o mundo, sensação de falta de controle, depressão, vontade de chorar, insônia, mudança da libido, esquecimento, diminuição de concentração e alterações de humor. No entanto, para ser considerada doença, e portanto sujeita a tratamento, é importante que estes sintomas de fato interfiram nas atividades habituais da mulher e que os mesmos ocorram na fase pré menstrual e não em todo o ciclo.

Hoje em dia são conhecidos e descritos quatro tipos principais de TPM:

Tipo A - a ansiedade, irritabilidade, tensão nervosa e suas conseqüências, são as características principais.

Tipo C - há predominância da compulsão alimentar irresistível, principalmente, por doces e chocolate. Acompanha sintomas de fadiga, cefaléia e palpitações.

Tipo D - há predominância de sintomas depressivos, assim como choro, letargia, insônia e confusão, nos quinze dias que antecedem a vinda da menstruação.

Tipo H - ocorrência, principalmente, de retenção hídrica, inchaço nos seios (deixando as mamas extremamente dolorosas), distúrbio do sistema nervoso central, causando dores de cabeça, distensão abdominal e dores musculares nas pernas.

A TPM é de etiologia desconhecida, mas as causas mais prováveis incluem: desequilíbrio hormonal, particularmente excesso de estrogênio e deficiência de progesterona, retenção hídrica, hiperprolactinemia, deficiência de vitamina B6, hipoglicemia, aumento ou diminuição de prostaglandinas, anormalidades da tireóide, deficiência de serotonina, desordem psicológica preexistente e excesso ou deficiência alimentar. O excesso de gordura animal, açúcar refinado, sal e cafeína, assim como o sedentarismo, parece estar associado ao aumento da sintomatologia da TPM.

Outra causa comum da TPM é a deficiência tanto de piridoxina (vitamina B6) quanto de Magnésio (Mg). A deficiência de vitamina B6 está relacionada ao edema e depressão e ela é necessária para a efetividade do magnésio. A carência de piridoxina pode contribuir para elevar os níveis de prolactina, um hormônio que em alguns estudos se mostrou elevado em mulheres com TPM. Sua deficiência pode reduzir a capacidade hepática de metabolização do estrogênio, ocasionando o seu aumento sérico, resultando numa relação estrogênio/progesterona mais alta, sendo este um achado muito freqüente nestas mulheres. Esta relação alterada muito se associa à retenção hídrica, distensão abdominal, seios doloridos e ganho de peso. Além disso, a deficiência de B6 ou Mg podem diminuir os níveis de dopamina e de ácido gama aminobutírico (GABA) no cérebro, associando-se com diversos sintomas emocionais verificados na mulher com TPM. Sugere-se que mulheres na TPM consumam refeições pequenas e freqüentes, e ricas em carboidratos, com o objetivo de melhorar a sintomatologia da tensão e depressão, uma vez que a produção de insulina facilita a captação do aminoácido triptofano a nível cerebral, aumentando assim a síntese de serotonina (com efeitos na melhora do humor, bem estar e diminuição da vontade de comer doces). A síntese de neurotransmissores como a serotonina e norepinefrina é dependente de B12, folato, piridoxina e Magnésio, ratificando a necessidade destes nutrientes durante esta fase. A deficiência de piridoxina também reduz a síntese de dopamina, acarretando tendência a aumentar a secreção de prolactina.

O excesso de produtos lácteos e cálcio pode diminuir a absorção de magnésio, enquanto o excesso de açúcar branco, stress e a cafeína podem aumentar a excreção urinária deste mineral, contribuindo de maneira indireta para a piora dos sintomas durante esta fase. Ademais, após ingestão de grandes quantidades de açúcar refinado, aumenta bruscamente a secreção de insulina, suprimindo a formação de cetoácidos, em conseqüência causando retenção de sódio e água. Recomenda-se neste período reduzir a ingestão de açúcar refinado, assim como diminuir ou abolir a ingestão de bebidas alcoólicas, uma vez que a mesma está relacionada a uma maior prevalência dos sintomas da TPM.

É prudente também controlar o consumo de sal, pois além de estar associado à retenção hídrica e ao aumento do peso, o sódio estimula a resposta glicêmica, uma vez que facilita a absorção intestinal de glicose e aumenta a resposta insulínica, o que poderia levar a hipoglicemia. É recomendada a redução na ingestão de alimentos ou bebidas contendo cafeína como café, chás, chocolate e refrigerantes durante este período.

A carência de magnésio irá inibir a produção de prostaglandina E-1 (PGE-1), levando à deficiência de progesterona, acentuando os sintomas pré-menstruais. A deficiência na síntese de PGE-1 também pode ser causada pelo excesso no consumo de margarina e outras fontes de gordura vegetal hidrogenada, pelo excesso de gordura saturada e monoinsaturada, pelo excesso de colesterol, deficiência de zinco, avançar da idade, diabetes, alto consumo de açúcar, insuficiente quantidade de óleos ricos em Omega 6 e 3 não refinados e deficiência de ácido gama - linolênico (GLA). O ácido gama linolênico é precursor do ácido dihomo-gama-linolênico, responsável pela síntese de PGE-1, a partir do metabolismo do ácido linoléico (Omega 6). O uso de óleo de prímula, de boragem ou de groselha preta durante a fase lútea vem sendo estudado, por seu conteúdo de GLA, exercendo efeitos na síntese da PGE-1. Se associados a outro óleo rico em Omega 3 como de linhaça ou de peixe, os resultados são ainda melhores. A conversão do GLA em PGE-1 é dependente de alguns co-fatores como o magnésio, piridoxina, zinco, ácido ascórbico e niacina. Deficiências de vitamina A e E também já foram implicadas na TPM, provavelmente devido ao efeito da vitamina E em modular a produção de prostaglandinas e de neurotransmissores cerebrais, uma vez que atravessa a barreira hematoencefálica.

É sempre importante lembrar que para adquirir um equilíbrio hormonal é necessário otimizar o sistema de detoxificação hepático e intestinal. Fornecer os substratos para as etapas de detoxificaçao hepática, bem como buscar o equilíbrio da ecologia intestinal,
são medidas primárias no tratamento das mulheres com TPM.


PATRICIA DAVIDSON HAIAT

Nutricionista